domingo, 11 de novembro de 2007


Quem foi que disse que rosa é apara as meninas!

Numa lógica do biopoder, ainda são os menisnos maiores que carregam as bandeiras das instituições, do estado e etc.
A amizade enquanto política da existência, enquanto ética e estética se abre a caminhos não pensados e os menisnos e meninas da escola destroem as evidências de seus limites.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Adoro um amor inventado





A amizade hoje (e sempre) seria assim, antes de mais nada, a possibilidade de recuperar os espaços públicos com a invenção de novas formas de sociabilidade. Ela seria então o estabelecimento agora, mas sempre raramente, de um campo aberto à experimentação entre as pessoas, que ocorre cada vez em que é possível ser-se livre.

João Camillo Penna
Professor da Faculdade de Letras da UFRJ

http://p.php.uol.com.br/tropico/html/textos/1410,1.shl

Amizade: espaço de liberdade e de risco

Nas sociedades contemporâneas ocidentais, a prática da parrhêsia “se transformou na prática da confissão, a relação institucionalizada com o confessor ou com o psicanalista substituiu a relação de amizade” (Ortega 1999, p. 162), contribuindo para o esvaziamento da vida pública e para a privatização dos afetos, assim como para o revigoramento de uma visão familialista das relações dos homens entre si. Foucault se posiciona decididamente contra esta linha de força que influi no esvaziamento da micropolítica, fornecendo pistas para se pensar e viver novas formas relacionais e de comunidade, e por que não dizer, de praticar a psicanálise, pois que seu pensamento evolui com base numa perspectiva da intersubjetividade comprometida com a produção de bens comuns, mas não universalizáveis. Uma das formas relacionais para as quais Foucault (1994) chama atenção é a amizade. Esta, à medida que relacionada à incitação para uma luta que compreende questões que afetam a existência de todo indivíduo, é compreendida como voltada para impulsionar uma autotransformação considerada indispensável. Expressão do laço social tanto quanto do afetivo, a amizade é também relacionada por Foucault a um processo de natureza agonística, sempre passível de gerar dor e até chegar a um limite, posto que necessariamente norteado pela verdade, concebida também como sempre passível de ser retificada.

Conhecer a verdade, antes de qualquer coisa, dizer a verdade e praticar a verdade, se norteando sempre por afetos experimentados de forma livre, sem que se prescinda da escuta e da consideração dirigidas ao outro, se constitui na arte da existência que o pensamento de Foucault (1994) sugere ser importante no contexto da contemporaneidade, situando-a como uma sublimação necessária – ao mesmo tempo em que uma “prática de liberdade” – ao risco de perda envolvido em relações de amizade de natureza agonística. Por isso, em consonância com seu pensamento, Ortega argumenta, com muita propriedade, que “o espaço da amizade é o espaço entre os indivíduos, do mundo compartilhado – espaço de liberdade e de risco –, das ruas, das praças, dos passeios, dos teatros, dos cafés, e não o espaço de nossos condomínios fechados e nossos shopping centers” (Ortega, 2002, p. 161-162). O espaço da amizade não comporta, portanto, a dominação exercida pelo valor – muitas vezes preconizado – da lealdade compulsória ao outro. Cabe aqui acrescentar que o espaço da amizade, assim concebido, também não comporta uma perspectiva ancorada na suspeita e na desconfiança de que nem tudo é sabido ou dito, ou numa suspeita para com o desconhecido considerado como fonte de artimanhas, por se acreditar que a verdade fundamental só possa advir de um inconsciente que surpreende no mais das vezes de modo perigoso.

Luiz Ricardo Prado de Oliveira
http://spcrj.org.br/artigos/artigos_outubro_setting.htm

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Para ajudar a pensar a multidão II

Bombeiros fazem manifestação por melhores condições de trabalho na Espanha. Vocês não acham que a multidão tem uma certa potência? É como cantavam Erasmo Carlos e Marina Lima

Sei que você fez os seus castelos
E sonhou ser salva do dragão
Desilusão meu bem
Quando acordou estava sem ninguém
Sozinha no silêncio do seu quarto
Procura a espada do seu salvador
Que no sonho se desespera
Jamais vai poder livrar você da fera
Da solidão
Com a força do meu canto
Esquento o seu quarto prá secar seu pranto
Aumenta o rádio me dê a mão
Filosofia é poesia que dizia a minha vó
Antes mal acompanhada do que só
Você precisa de um homem pra chamar de seu
Mesmo que esse homem seja eu

Escolas públicas

PARA AJUDAR NA DISCUSSÃO DO NEGRI


"Todas essas multidões não impedem o deserto..."

Clara Luiza Miranda

domingo, 4 de novembro de 2007

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Contra a violência o biopoder

CABRAL APÓIA ABORTO E DIZ QUE FAVELA É FÁBRICA DE MARGINAL
Folha de S. Paulo
25/10/2007

Para o governador do Rio, interrupção da gravidez está relacionada à redução da violência Para ele, rede pública teria de oferecer condições, já que mulheres de melhor poder aquisitivo acabam pagando por procedimento
O governador do Rio, Sérgio Cabral, afirmou que as taxas de fertilidade de mães faveladas são uma "fábrica de produzir marginal". Segundo ele, parte dessas mulheres produz crianças "sem estrutura, sem conforto familiar e material". Cabral disse lamentar o fato de essas mães não receberem orientação dos órgãos oficiais "em questões de planejamento familiar".
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho (PMDB), pai de cinco filhos, defendeu ontem a legalização do aborto como forma de conter a violência no Estado e afirmou que as taxas de fertilidade de mães faveladas são uma "fábrica de produzir marginal".Segundo o governador, 44, existem "dois brasis", um de padrão de países nórdicos, como a Suécia, e outro com nível de pobreza comparável a países miseráveis africanos."Não tenho a menor dúvida de que o aborto [como política pública] pode conter a violência. Eu particularmente não sou a favor do aborto", declarou ontem em encontro de agentes de viagem na Barra da Tijuca.De acordo com Cabral, parte das mães moradoras de áreas carentes "estão produzindo crianças, sem estrutura, sem conforto familiar e material". Ele disse lamentar o fato de essas mulheres não receberem "orientação do governo em questões de planejamento familiar" dos órgãos de saúde.


Comentário:

Ou seja, em nome da segurança se justifica e se legitima a tentativa de controlar a vida das pessoas, operando por meio de classificações, hierarquizações e prescrições. Dessa forma, o governador se sente no direito e no dever de regular a fecundidade das mulheres pobres, controlar as taxas de crescimento das populações das favelas e, ao mesmo tempo, estabelecer as possibilidades futuras das crianças faveladas. Pior do que o preconceito e o equivoco em relação a taxa de fecundicade nas favelas cariocas, é fazer da segurança "o princípio básico da atividade do Estado" (Agamben).

Como afirmam Negri e Hardt em Multidão, "se a guerra já não é uma situação excepcional, mas o estado normal das coisas, vale dizer, se entramos agora num estado perpétuo de guerra, torna-se necessário que a guerra não seja uma ameaça a atual estrutura de poder, nem uma força desestabilizadora, e sim, pelo contrário, um mecanismo ativo que esteja constantemente criando e reforçando a atual ordem global. (...) Em outras palvras, a aplicação coordenada e constante da violência torna-se condição necessária para a disciplina e o controle. Para que possa desempenhar este papel social e político fundamental, a guerra deve ser capaz de desempenhar uma função constituinte ou reguladora: terá de tornar-se ao mesmo tempo um atividade processual e uma atividade reguladora, de ordenação, criando e mantendo hierarquias sociais, uma forma de biopoder voltada para a promoção e a regulação da vida social" (2005: 43-44).


quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Ler Arnaldo Antunes e entender Certeau

A realidade também emburrece
Arnaldo Antunes

Folha de São Paulo, 28/10/85

Notícias Populares, 18/06/85: "Titãs acusam TV de burrificar as pessoas em seu novo disco".
O poeta Waly Salomão, no release desse disco: "... acontece que os Titãs são inteligentes, irônicos demais para encamparem a visão do fenômeno televisivo como encarnação do mal, a televisão enquanto Hidra de Lerna eletrônica".

Um jornal publicou, a partir do release: "... é uma visão do fenômeno televisivo como encarnação do mal, à base de muito humor...". Acontece. Há quem ouça mal e há quem entenda mal o que ouve.

Mas normalmente os burros tentam esconder a própria burrice — o que os diferencia dos chatos, que ostentam inevitavelmente a sua condição — seja na TV, nas páginas dos jornais ou na convivência diária.

A burrice cantada na primeira pessoa é, ao menos, diferente.
Tudo bem. "Televisão" (a música) soa claramente nas FMs, com sua burrice = anti-imunidade. Agora eu quero falar mais da Televisão (o aparelho), e desse preconceito-preservativo que a encara como o Monstro da Massificação.

Uma vez eu estava assistindo uma dessas novelas rurais da Globo, do horário das seis, na tevê coletiva de uma fazenda. Um dos colonos comentou que não gostava desse tipo de novela, porque caipira ele já estava cansado de ver ali todo dia. Ele gostava, sim, de novela que mostra as pessoas ricas da cidade. Já outros curtiam se identificar com os caipiras da novela. Outros, outras coisas.

A atração pela diferença, a busca de identidade, a indiferença, são apenas algumas das formas de se relacionar com a televisão. O cara que desliga a TV e sobe para o quarto de dormir não pode ver do mesmo jeito que o cara que acolhe a TV em seu quarto e dorme com ela ligada. Mas, na pior cegueira, todos os gatos são pardos. Titãs e Dominó.

A crítica da televisão que monstrifica o seu aspecto massificante exclui um elemento fundamental do processo, que é o telespectador. Se não exclui, menospreza sua capacidade de manipular o aparelho.

O cuidado em não se promiscuir com os raios catódico-emburrecedores é gerado pela preguiça de cavar uma maneira própria de se relacionar com o objeto. Mais cômodo é afastar qualquer possibilidade de contaminação. Mais asséptico. As pessoas se preservam do risco de envolvimento com a mediocridade televisada para repetirem a mediocridade universitária. Não podem apreciar a vertigem de um anúncio de sabonete, a graça patética de uma imagem da novela sem o som, ou a perda de tempo (Sombra Monstruosa do Monstro) de assistir um desenho animado em pleno horário comercial da segunda-feira.

Sabe-se que a televisão trabalha com a repetição de formas já assimiladas, com padrões estáveis e um baixo grau de novidade ou estranhamento. O tratamento da linguagem que exige um esforço de compreensão formal um pouco maior, para a comunicação de massa, é ineficiente. A renovação técnica é uma exigência constante, mas a linguagem tartarugueia (quando não carangueja). Se por um lado isso rebaixa seu valor criativo, por outro há a vantagem da televisão se tornar um objeto totalmente incorporado ao cotidiano — como uma janela.
Você olha a janela todo dia. O que você aprende do que o seu olho apreende? Do que a sua antena capta, o que você captura?

Um exercício interessante: inverter o atrativo da televisão. Assistir qualquer coisa tentando não compreender nada. Você vê as cenas, a seqüência das cenas, as pessoas, o que as pessoas fazem; ouve as vozes, a música, os ruídos. Mas você não entende o que está acontecendo ali. Cria uma estranheza, uma dificuldade intencional de seguir aquilo que se quer mostrar. Olhe por um momento a cara da sua mãe procurando não reconhecê-la.

Outro: ver televisão, apenas. Ver televisão com os olhos puros, entregando-se à sua banalidade. Esse exercício funciona como um aprimoramento da facilidade, da tolerância, da maleabilidade da mente e do espírito. Aula de culinária às onze da manhã.

Muita gente faz coisas escutando música. Pode-se também fazer coisas vendo televisão. Ela fica ligada enquanto você faz outra coisa qualquer. As vezes você olha para ela e se desconcentra daquilo que estava fazendo.

Com o advento do controle remoto, inauguraram-se novas possibilidades de brincar com a televisão. A simultaneidade dos canais se tornou mais tentadora. As interrupções, mais freqüentes. Flashes.

Eu quero é mais: tevês de bolso, tevês descartáveis, telas circulares, novas possibilidades de alteração da imagem e do som, maior número de emissoras, programação constante sem interrupção de madrugada, salas com muitos aparelhos, para ligá-los ao mesmo tempo em canais diferentes — como em O Homem Que Caiu na Terra, ou como os mendigos que assistem as pilhas de televisores ligados nas vitrines das lojas.

A televisão ensina muitas coisas; até mesmo no telecurso.

Não adianta conversar com a sua avó sobre os novos modelos de computador. Você vai ter que falar de outras coisas (ou falar de outro jeito sobre os computadores). Se você não se permite isso, vai ficar conversando só com o pessoal da IBM. Ou com os próprios computadores.
Agora você pode querer aprender outras coisas. Você olha a janela para quê?

40 Escritos
São Paulo: Iliminuras, 2000

Ler Arnaldo Antunes e entender Homi Bhabha

Riquezas são diferenças

Folha de São Paulo, 07/01/92

Muita estupidez e preconceito se têm lido nas páginas dos jornais, seja na opinião dos próprios jornalistas, seja na declaração de pessoas do meio artístico musical, tendo por objeto a cor da pele de Michael Jackson.

Não quero falar aqui da sua música, que continua exercendo o caminho natural de sua genialidade; nem do espaço poderoso que ela ocupa no mundo todo. Quero falar da clareza de Michael Jackson. Mesmo que para isso eu tenha de aceitar a condição da imprensa em geral, que tomou essa questão como um escudo para não comentar com o devido respeito seu último disco.

Michael Jackson teve a pele negra. Ficou mulato em Thriller, clareou mais em Bad e agora aparece completamente branco em Dangerous. O mal-estar que isso vem causando é assustador, nessa beirada do ano 2000. Que ele "negou a sua raça", "se corrompeu", "virou um monstro", entre ofensas piores.

O pior ataque dessa onda se leu numa matéria assinada por Sérgio Sá Leitão, na seção denominada "Fique por dentro" (?), no Folhateen de 9/12/91, que, além de desprezar sem nenhum fundamento Dangerous ("O fundamental em Michael Jackson já não é mais a música — como o era na época de Thriller, seu álbum-emblema") e lamentar a mudança de cor enquanto perda de identidade ("Com sua identidade diluída, falta também a Michael Jackson a legitimidade indispensável a qualquer astro da cultura pop"), começa (na manchete) e termina (na conclusão da matéria) com uma frase de efeito de uma agressividade despropositada: "Michael Jackson é o eunuco do pop". Tendo-se em conta a potência que ele representa, não apenas em seu som, mas também como fenômeno de massas no planeta, tal inversão só pode ser interpretada como fruto de ódio. Parece a indignação de um membro da Ku Klux Klan defendendo a pureza racial ameaçada por esse branco que não nasceu branco.

Brancos sempre puderam parecer mulatos, bronzear-se ao sol ou em lâmpadas específicas para esse fim, fazer permanente para endurecer os cabelos. Tudo isso visto com naturalidade e simpatia. Tatuagem, que é uma técnica predominantemente usada por brancos, pode. Até mesmo aquela caricatura do Al Johnson era vista com graça. Agora, o negro Michael Jackson entregar seu corpo à transcendência da barreira racial desperta revolta, reações de protesto e aversão.

O espaço da ficção é permissivo. Todo mundo acha bacana Raul Seixas haver cantado "Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante", ou haver existido uma banda chamada "Mutantes". Há um consenso na aceitação da promiscuidade racial de Macunaíma, como traço característico de nossa identidade antropológica. Agora, quando adentramos o campo da vida real as máscaras moralistas, racistas, preservacionistas da estagnação se mostram, contra a liberdade individual de se fazer o que quiser da própria pele.

É que Michael Jackson é um Macunaíma ao avesso. Se o anti-herói de Mário de Andrade faz de si a parábola da gênese das diferenças raciais no espaço ficcional, Michael Jackson representa, em carne e osso, a abolição dessas fronteiras. Mas parece que, mais de cem anos depois, o Brasil ainda não está preparado para aceitar a Abolição.

Os negros que estão condenando a mutação de Michael Jackson, insinuando ser ela fruto de inveja de uma suposta condição dos brancos, acabam na verdade chegando a um veredito semelhante ao do racismo branco que diz: "Como esse negro se atreve a usar a minha cor em sua pele?"

Michael Jackson continua cantando com o mesmo swing de quando tinha a pele preta, e dançando cada vez mais lindamente aquela dança que influenciou milhares de negros no mundo inteiro. Ele ostenta a pele clara como quem diz "eu posso". E canta: "I'm not going to spend my life being a color". E faz de seu corpo a prova de que a questão racial vai muito além da cor da pele.

O corpo é para usar. O corpo é para ser usado. Michael Jackson está colocando seu corpo a serviço de um tempo em que a pessoa valha antes das raças, e o planeta antes das nações. Não se trata de extinguir as diferenças, mas de fundar radicalmente a possibilidade de trânsito entre elas. A miscigenação que se fez aqui (nesse país onde todos somos um pouco mulatos ou mamelucos), diacronicamente, durante séculos, faz-se sincronicamente nele.

Michael Jackson é preto e é branco. Não fala em nome de uma raça ou casta, mas encarna em si a diferença. Não é mais americano porque é do mundo todo ("Protection/for gangs, clubs,/ and nations/ causing grief in/ human relations/ It's a turf war/ On a global scale/ I'd rather hear both sides/ of the tale", canta em Black or White). O incômodo está justamente nesse exercício de liberdade. Ele não precisa explicar nada. As respostas estão todas na sua cara. Ou naquelas caras tão diferentes se transformando umas nas outras, no clip de Black or White.

"...Eu me tomo as estrelas e a lua. Eu me tomo o amante e o amado. Eu me tomo o vencedor e o vencido. Eu me tomo o senhor e o escravo. Eu me tomo o cantor e a canção. Eu me tomo o conhecedor e o conhecido... Eu continuo dançando... e dançando... e dançando, até que haja apenas... a dança" (Michael Jackson, em The Dance).

Arnaldo Antunes

40 Escritos
organização: João Bandeira
São Paulo: Iluminuras,2000

sábado, 27 de outubro de 2007

Vida cotidiana

PERSPECTIVAS DA TRANSFORMAÇÃO CONSCIENTE DA VIDA QUOTIDIANA
Guy Debord

Estudar a vida quotidiana seria uma empresa perfeitamente ridícula e, além disso, condenada desde o princípio a perder de vista seu próprio objeto, se não se propusesse explicitamente o estudo dessa vida quotidiana com o fim de transformá-la. A própria conferência, a exposição de determinadas considerações intelectuais diante de um auditório, como forma extremamente banal de relações humanas em um setor bastante amplo da sociedade, também ela se insere na crítica da vida quotidiana.

Os sociólogos, por exemplo, tendem a se separar da vida quotidiana e lançar paras as esferas chamadas superiores tudo que lhes acontece a cada instante. É o hábito, começando pelo de manejar certos conceitos profissionais - produzidos pela divisão do trabalho - que sob todas as suas formas mascara assim a realidade por trás das condições privilegiadas.

Por conseguinte, é oportuno mostrar que se deslocamos ligeiramente as fórmulas correntes descobrimos aqui mesmo a vida quotidiana. (...)

Existe uma vontade manifesta de abrigar-se por baixo de uma formação do pensamento baseada na separação artificial de campos fragmentários, a fim de recusar o conceito inútil, vulgar e nojento de "vida quotidiana". Semelhante conceito encobre um resíduo da realidade catalogada e classificada com o qual alguns não desejam enfrentar, pois constitui, ao mesmo tempo, o ponto de vista da totalidade e implicaria a necessidade de um juízo global, de uma política. Certos intelectuais parecem se vangloriar assim de uma ilusória participação pessoal no setor dominante da sociedade, através da possessão de uma ou mais especializações culturais, o que os situa na melhor posição para se dar conta de que o conjunto desta cultura dominante está sensivelmente desgastado. Mas qualquer que seja o juízo que se pronuncie sobre a coerência dessa cultura ou sobre o interesse de seus aspectos, a alienação que ela impôs aos intelectuais em questão consiste em fazê-los crer, desde sua privilegiada posição sociológica, que se encontram completamente fora da vida quotidiana de qualquer povo, ou situados num lugar por demais elevado na escala dos poderes humanos, como se eles mesmos não fossem igualmente pobres.

Não há dúvida de que as atividades especializadas têm uma existência; em uma dada época adquirem inclusive um uso geral que deve reconhecer-se sempre de uma forma desmistificada. A vida quotidiana não o é totalmente. Certamente, existe uma osmose entre esta e as atividades especializadas, e até o extremo que, desde determinado ponto de vista, nunca nos encontramos fora da vida quotidiana. Mas caso se recorra à fácil imagem de uma representação espacial das atividades, a vida quotidiana deve se situar, além do mais, no centro de tudo. Cada projeto em parte e cada realização tomam dela sua nova significação e sobre ela a projetam. A vida quotidiana é a medida de todas as coisas: do cumprimento, ou melhor, do descumprimento das relações humanas, do uso do tempo vivido, das buscas da arte, da política revolucionária. (...)

Considero que o termo "crítica da vida quotidiana" também poderia ou deveria ser entendido com a seguinte inversão: a crítica que a vida quotidiana exercerá soberanamente a tudo o que lhe seja exterior.

Esta exposição foi apresentada em 17 de maio de 1961 em fita magnética diante do Grupo de Investigações sobre a vida quotidiana, reunido por H. Lefebrve no Centre d'études sociologiques del C.N.R.S.. Foi publicado no número 6 de Internacionalle Situationiste (agosto-1961). Tradução para o espanhol de Eduardo Subirats - publicada no caderno Textos situacionistas sobre arte e urbanismo (Anagrama, 1973) e na internet pelo Archivo Situacionista Hispano. Traduzido do espanhol.

Para ler o texto completo:
http://www.rizoma.net/interna.php?id=146&secao=potlatch

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Ceiça, que mistura deliciosa...

Acho que Nilda tem razão... As pesquisas começam a fazer sentido quando começamos a estabelecer redes e nos colocamos mergulhados na vida da escola. Redes de afeto, amizade, conhecimento, sentido, humores, sabores, cumplicidades... Que bom (des) cobrir a escola. Poder estabelecer novos/outros contatos, reinventá-la, produzir sentidos, se emocionar, se emaranhar, se deixar tocar... Deixar a vida nos levar...

Nem tão longe assim

Tânia, não se desespere. Esses desenraizamentos, desterritorializações e deslizamentos, não sei se felizmente ou infelizmente, não nos levam tão longe assim. Depois de alguns pequenos vôos, rodopios e escorregões, a gente tem sensação de estar ainda no mesmo lugar, mesmo que levemente modificado. Não sei se é possível e necessário ir além disso.

Observe essa letra de uma canção dos Titãs. Me parece uma crítica irônica a esses tempos que estamos chamando de pós-modernos. Talvez a gente possa transpor a crítica irônica da cena musical para a cena cultural e para a cena científica e, assim, perceber que em alguns momentos precisamos desacelerar e ter mais tempo para absorver ou rejeitar as idéias, os pensamentos, as atitudes, as crenças e os valores que estão todo o tempo sendo lançados.

A Melhor Banda De Todos Os Tempos Da ÚLtima Semana
Titãs
Composição: Branco Mello/ Sérgio Britto

Quinze minutos de fama
Mais um pros comerciais,
Quinze minutos de fama
Depois descanse em paz.

O gênio da última hora,
É o idiota do ano seguinte
O último novo-rico,
É o mais novo pedinte

A melhor banda de todos os tempos da última semana
O melhor disco brasileiro de música americana
O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado
O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos

Não importa contradição
O que importa é televisão
Dizem que não há nada que você não se acostume
Cala a boca e aumenta o volume então

As músicas mais pedidas
Os discos que vendem mais,
As novidades antigas
Nas páginas do jornais

Um idiota em inglês,
Se é um idiota, é bem menos que nós
Um idiota em inglês
É bem melhor do que eu e vocês

A melhor banda de todos os tempos da última semana
O melhor disco brasileiro de música americana
O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado
O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos

Não importa contradição
O que importa é televisão
Dizem que não há nada que você não se acostume
Cala a boca e aumenta o volume então

Os bons meninos de hoje
Eram os rebeldes da outra estação
O ilustre desconhecido
É o novo ídolo do próximo verão

A melhor banda de todos os tempos da última semana
O melhor disco brasileiro de música americana
O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado
O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos

A ventania

Assovia o vento dentro de mim.
Estou despido. Dono de nada, dono de ninguém, nem mesmo dono de minhas certezas, sou minha cara contra o vento, a contravento, e sou o vento que bate em minha cara.

Eduardo Galeano

Devaneios... Divagações... Deslizamentos...

Perdi o sono... se é que eu o tinha encontrado...

Devaneios...

Estou iniciando na leitura de Foucault, Deleuze, Derrida... Tudo é novo, estranho, confuso para mim... Estou me sentindo como uma estrangeira nômade... não sei para onde eu vou _ se é que é preciso ter algum lugar para ir... Não!!! Acho que é preciso deixar-me levar pelas escutas: "O leitor de Derrida deve saber escutar para deixar ressoar suas infinitas questões" (Skliar, 2005). Deveria eu deixar-me levar em peregrinações de questionamentos, inquietações, rupturas, imprevistos?

Divagações...

Tradução... Desconstrução... Estética da existência... Acontecimentos... Différance... Evenemencialismo... Cuidado de si... Aonde estou no meio disso tudo???? Não consigo me achar... Enquanto isso devoro um pote de gelatina... Estou ansiosa... Aliás, é preciso encontrar-me, ou devo ir cada vez mais longe de mim?

Deslizamentos...

Ssssssooooccorrroooo!!!!!

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

A arte da amizade: alguns instantâneos na UERJ

Após nossas "trocas de figurinhs e abobrinhas" na cantina da UERJ em que ouvimos, falamos, sentimos, rimos, contamos causos e histórias desordenadas, caóticas, engraçadas, tenebrosas, enfim, onde tecemos experiências e acontecimentos nos interstícios de nossas vidas enredadas e emboladas com tantas outras, comecei a pensar na "arte da amizade".

Segundo Ortega (1999), "nos últimos anos, apareceram várias tentativas de pensar a amizade, por parte de Foucault, Deleuze, Guattari e Derrida, constituindo-se hoje em dia, em uma das principais tarefas filosóficas".

Falar de amizade, diz Ortega, refraseando Foucault na terminologia de Deleuze, "é falar de multiplicidade, intensidade, experimentação, desterritorialização. Relação, portanto, provisória e aberta a novos posicionamentos do sujeito. Ser amigo significa não ter lugar social marcado nem objetivos fixos, quando se trata de buscar satisfação pessoal ou perseguir ideais coletivos".

Em seu livro "Amizade e estética da existência em Foucault", Ortega desenvolve uma ontologia da amizade, "[...] ao lado da tentativa de realçar a dimensão agonística e inter-subjetiva do cuidado de si relacionando-a com a análise da amizade. A amizade é um conceito-chave na obra foucaultiana , sendo também um elemento de ligação entre a elaboração individual e a subjetivação coletiva. Ela é, para o pensador francês, um convite, um apelo à experimentação de novos estilos de vida e comunidade".

Que possamos, então , nessa "forma de subjetivação coletiva", nessa "forma de vida" metamorfosearmos em um infinito e intenso devir que nos faça deslizar entre as margens, dobras, interstícios... Parafraseando Derrida, transbordar do que menos nos falta e carecer do que nos sobra...

ORTEGA, F. Amizade e existência em Foucault. Rio de Janeiro: Edições Graal Ltda., 1999.

Parodiando Deleuze

Alex, Deleuze rouba conceitos e eu estou roubando todas as suas fotos lindíssimas para usar nas minhas aulas. Bota mais...
Bjus

Elas estão lindas!

Estilo que se inventa entre o recomendado e o possível, entre uma e outra, no encontro e no desejo de ser outro, é estética de existência.

Uniforme:

Elas estão de uniformes. Não mais o uniforme da escola, tipo tamanho único, que serve para todos e a ninguém! Agora, depois de praticado, estilizado, possui estilo. Estilo: acho que é isso que conta.

Felicidade


Amizade e burla. Cade o uniforme de "uso obrigatório" e a "fila da hora da entrada"? O que conta é sempre o encontro!

Quem diria....


Nem eu acredito mais em mim!

Ver com as mãos


Professora cria interferência na EMEF Álvaro de Castro Mattos. Os alunos entram com os olhos vedados na cabana cheia de objetos, com as mais variadas formas e texturas, e aprendem a "ver" com os outros sentidos.

Espaços de liberdade

As crianças da cidade têm brinquedos, computador, celular e televisão, mas, cansadas da solidão camuflada, buscam da escola o encontro e a liberdade.

Amizade


bRINCADEIRAS


Marcas da escola.
escola
roça

Brincadeiras


As crianças da roça, brincam com os elementos disponíveis no seu cotidiano. É preciso outras lentes para ver essa magia!

Reevocar o soma infantil

Para Peter Pál Pelbart, Agamben imagina um infante "totipotente, a ponto de declinar qualquer destino específico e qualquer ambiente determinado, para ater-se unicamente a sua própria imaturidade e a sua própria privação". E, "este autêntico reevocar o soma infantil da humanidade se chama: o pensamento, isto é, a política".

Ainda para Perlbart, "se a reflexão sobre a linguagem tem na obra de Agamben papel tão relevante, é porque um outro "uso" desse Comum (NEGRI & HARDT) poderia restituir à subjetividade essa dimensão de "infância", contingência, possibilidade, revelando a tarefa eminentemente política aí embutida (...)".

Artigo completohttp://www.rizoma.net/interna.php?id=285&secao=artefato:

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Desassossego

E assim sou, fútil e sensível, capaz de impulsos violentos e absorventes, maus e bons, nobres e vis, mas nunca de um sentimento que subsista, nunca de uma emoção que continue, e entre para a substância da alma. Tudo em mim é a tendência para ser a seguir outra coisa; uma impaciência da alma consigo mesma, como uma criança inoportuna; um desassossego sempre crescente e igual. Tudo me interessa e nada me prende.

Fernando Pessoa
Livro do Desassossego.
São Paulo: Companhia das, 2006 - p. 49

Salve Regina!

Que venha o porvir. Que o devir criança nos acometa.
E que, além da criança que nasce e nos põe em xeque, proliferem livremente também as crianças que nascem em nós todos os dias. Que elas nos tomem de modo que nos levem a problematizar o mundo com "questões menores", nos arrancando das nossas certezas, nos desviando dos lugares estabelecidos e nos livrando da mesmice. Amém!

A Infância como o outro que nasce e que nos coloca em questão.

Enquanto relação com a alteridade daquele que nasce, a educação não é apenas o resultado da segurança de nosso saber e da arrogância do nosso, mas ela implica, também, nossa incerteza, nossa inquietude e nosso autoquestionamento. Só assim a educação abre um porvir indeterminado, situado sempre além de todo poder sobre o possível, literalmente infinito. E um porvir infinito implica, justamente, a infinitude da descontinuidade e da diferença, um porvir irredutível à reprodução do Mesmo (LARROSA, 2006, p. 16).

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Parabens

O grupo Currículo, Cultura e Cotidiano está d ++++

Parabens!

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

O que é a multidão?

Entrevista com Negri e Hardt por Nicholas Brown e Imre Szemanpor

Para nós, o conceito de multidão é ao mesmo tempo o grande atrativo de Império e também seu maior problema. Por isso encaramos Multidão com tanta expectativa. Nas primeiras páginas do prefácio, vocês colocam em primeiro plano o que consideramos a principal contradição do conceito de multidão. De um lado, podemos notar o “projeto da multidão”, a construção de uma vida em comum, numa democracia global. Por outro lado, “amultidão não pode jamais ser reduzida a uma unidade”. Mas acontece que um projeto é necessariamente tal unidade! Como resolver essa contradição?


Deixem-nos elaborar a questão da unidade de modo diferente.Um aspecto da reinvenção atual da democracia é a necessidade de destruir a separação entre a sociedade civil e o Estado ou, para dizê-lo em termos diferentes, a separação entre o social e o político. Esse é um projeto de longo prazo da tradição marxista, freqüentemente expresso na própria obra de Marx. Hoje, contudo, parecem finalmente existir as condições para destruir essa separação. As condições estão dadas pela própria natureza da crise contemporânea. De fato,a passagem à pós-modernidade política e o reconhecimento prático do biopoder e da biopolítica têm um papel-chave para ir além da separação burguesa entre social e político.Por um lado, o capital contemporâneo precisa seguir esse processo porque,na sua forma de biopoder, precisa explorar o social diretamente através do poder político. Por outro, o processo de formação da multidão está profundamente envolvido com a destruição dessa separação. Mas esse estreitamento pode acontecer de várias maneiras e isso não resulta necessariamente numa unidade. Na verdade, para a multidão não é essencial que isso resulte numa unidade. A multidão está engajada na produção de diferenças, invenções e modos de vida. Deve, assim, ocasionar uma explosão de singularidades. Essas singularidades são conectadas e coordenadas de acordo com um processo constitutivo sempre reiterado e aberto. Seria um contra-senso exigir que a multidão se torne a “sociedade civil”. Mas seria igualmente ridículo exigir que forme um partido ou qualquer estrutura fixa de organização. A multidão é a forma ininterrupta de relação aberta que as singularidades põem em movimento. Será que esse projeto é de fato uma enorme abstração? Não parece que seja, ao menos até o ponto em que um esquema imaginário racional não é abstrato quando responde à crise do sistema de autoridade vigente. O desejo vai naturalmente aonde está o perigo; a imaginação vai naturalmente ao âmago da crise. A imaginação da multidão predispõe as subjetividades para uma ação comum diante da crise. Mas o comum não é unidade, nem quando envolve resistência contra o
inimigo, nem quando implica a construção coletiva de terreno para a existência da pólis — em resumo, nem quando é “multidão contra”, nem quando é “multidão a favor”. “Multidão contra” significa resistência a forças que não desejam o comum, que o bloqueiam e o dissolvem, que o
separam e se reapropriam dele privadamente. “Multidão a favor”, pelo contrário, significa afirmação do comum em sua diversidade e em cada uma de suas expressões criativas. Se chamarmos isso de unidade, teremos de fazê-lo como unidade paradoxal, composta unicamente por diferenças. Mas essa formulação tende a reduzir e negar diferenças. Eis porque preferimos conceitos como multiplicidade e singularidade. O que vocês dizem sobre a unidade imposta a partir de dentro da multidão aproxima-se do que diríamos, mas continuamos convencidos de
que unidade é um conceito errado. Quem já viveu experiências de luta política e períodos de êxodo sabe que as articulações entre o “contra” e o “a favor”, constitutiva e ontologicamente reais e positivas, são criadas de dentro do próprio movimento. Até mesmo a vanguarda leninista (ou a imaginada por Lukács) não vem de fora, mas sobretudo de dentro do próprio movimento.
Por que unidade? Vocês parecem pensar que o único caminho para as forças de resistência desafiarem os poderes dominantes é se unir, mesmo que essa unificação contrarie nossos desejos de democracia, liberdade e singularidade. É uma concessão, vocês parecem dizer que lamentavelmente devemos aceitar em face das duras realidades do poder. Não estamos convencidos disso. De fato, mesmo que se aceite por um momento pensar apenas em termos de efetividade e suspender todos os desejos políticos, não acreditamos que a unidade seja a chave. Pensemos apenas em termos das atuais lutas políticas concretas de resistência. Seriam
realmente mais efetivas se estivessem unificadas? O poder de algumas delas não está diretamente ligado à diversidade interna e suas expressões de liberdade? Pelo conteúdo, aquilo que o conceito de multidão indica (e vemos isso emergir em movimentos por toda a parte) é uma
organização social definida pela capacidade de agir em conjunto sem qualquer unificação.


Para ler toda a entrevista acesse:

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

O biscoito fino e a massa

Para os que acompanham o pensamento italiano contemporâno, cabem duas observações sobre Agamben:
1. Ele tem pouquíssima – se é que tem – relação com o chamado pensiero debole, o “pensamento frágil” associado a Gianni Vatimo, que celebra, de alguma forma, a queda dos universais como “pátria” e “Deus” e tenta armar, a partir daí, uma ética da precariedade. Não é essa a turma de Agamben.
2. Tem ele também pouquíssimo que ver com o marxismo obreirista italiano de figuras como Toni Negri que, a partir de uma leitura eufórica da globalização, enxergam o novo comunismo nos lugares mais insólitos, até no Bolsa Família de Lula.
Agamben é um pensador que propõe menos saídas, celebra menos, indica menos caminhos. Arrasta-se no pensar com um pouco menos de pressa. Meu livro favorito de Agamben é O que resta de Auschwitz: A Testemunha e o Arquivo (ainda inédito em português, acho), onde encontramos frases como :

A notícia atroz que os sobreviventes carregam dos campos para a terra dos seres humanos é precisamente a de que é possível perder a dignidade e a decência para além da imaginação, de que ainda há vida na degradação mais extrema. E que esse saber agora se torna a pedra de toque pela qual se medirá e se julgará toda moral e toda dignidade.

Para ler mais:
http://www.idelberavelar.com/archives/2007/05/giorgio_agamben.php

Preferir o "uso" ao "exit" - viva Agamben

F. C.: Nos últimos anos, muitas das energias do pensamento sobre a resistência e a emancipação se concentraram em desenvolver uma teoria da defecção, do êxodo (por exemplo, penso em Toni Negri e Michael Hardt, Paolo Virno, Albert Hirschmann). Quer dizer, diante da expansão totalitária em escala global, parece haver uma aposta na negatividade, no silêncio e no exit. Qual a sua opinião sobre isto?

G. A.: Para dizer a verdade, não estou muito convencido de que o êxodo seja hoje um paradigma verdadeiramente praticável. O sentido desse paradigma é, por outro lado, solidário do paradigma do Império, com o qual forma sistema. A analogia com a história da relação entre vida monástica e o Império Romano nos primeiros séculos da era cristã é iluminadora. Também nessa época, fizeram frente a um poder global centralizado formas de êxodo organizado que deram vida às grandes ordens conventuais. A analogia com a situação descrita em um livro recente que teve muita sorte é evidente. Inclusive, às vezes, penso que Negri e Hardt têm perfeito equivalente em Eusebio Cesarea, o teólogo da corte de Constantino (que Overbeck definia ironicamente como o friser da peruca teológica do imperador). Eusebio é o primeiro cristão a teorizar sobre a superioridade do único poder imperial sobre o poder das diversas pessoas e nações. Ao único Deus nos céus corresponde um único império sobre a terra. A história das relações entre Igreja e Império Romano é uma mescla e uma alternância de êxodo e alianças, de rivalidade e negociatas. Contudo, a cidade celeste de Agostinho ainda é peregrina, quer dizer, está no êxodo mesmo quando está em seu próprio terreno. Não creio que tenha sentido aplicar hoje o mesmo modelo. O êxodo da vida monástica fundava-se de fato sobre uma radical heterogeneidade da forma de vida cristã e sobre uma sólida fé comum, apesar disso, não alcançou ser verdadeiramente antagonista. Hoje, o problema é que uma forma de vida verdadeiramente heterogênea não existe, ao menos nos países do capitalismo avançado. Nas condições presentes, o êxodo pode assumir somente formas subalternas e não é uma causalidade se termina pedindo ao inimigo imperial que lhe pague um salário. Está claro que uma vida separada de sua forma, uma vida que se deixa subjetivar como vida nua não estará em condições de construir uma alternativa ao império. O que não significa que não seja possível trazer do êxodo modelos e reflexões. Penso, por exemplo, nos conceitos franciscanos de uso e de forma de vida, que são ainda hoje extremamente interessantes.

Para ler a entrevista toda:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-80232006000100011&script=sci_arttext

Entrevista com Giorgio Agamben - trecho

Revista do Departamento de Psicologia. UFF
Print ISSN 0104-8023
Rev. Dep. Psicol.,UFF vol.18 no.1 Niterói Jan./June 2006

F. C.: Você afirma que não há um retorno possível do estado de exceção em que vivemos imersos para o estado de direito. Que a tarefa que nos ocupa é, em todo caso, a de denunciar a ficção da articulação entre violência e direito, entre vida e norma, para abrir ali a cesura, o campo da política. Contudo, não nos devemos também uma teoria, não tanto do "poder constituinte" como da "instituição política", quer dizer, uma teoria sobre a "práxis articulatória" que inclua a politicidade do vivente como um elemento central?

G. A.: Precisamente porque se trata de romper o nexo entre violência e direito, o problema aqui é que devemos superar a falsa alternativa entre poder constituinte e poder constituído, entre a violência que instala o direito e a violência que o conserva. Porém, precisamente por isso me parece que não se trata tanto de "instituir" e de "articular", como de destruir e desarticular. Em geral, em nossa cultura o homem tem sido pensado sempre com a articulação e a conjunção dos princípios opostos: uma alma e um corpo, a linguagem e a vida, nesse caso um elemento político e um elemento vivente. Devemos, ao contrário, aprender a pensar o homem como aquele que resulta da desconexão desses dois elementos e investigar não o mistério metafísico da conjunção, mas o mistério prático e político da separação.

F. C.: A dinâmica de como desinstalar o instituído sem instituir ao mesmo tempo uma nova instituição remete certamente à idéia de revolução permanente. Pergunto-lhe não pelo "o que fazer?", mas sim até onde crê que é possível e desejável orientar-se na tentativa de pensar uma política "completamente nova"?

G. A.: Diria que o problema da revolução permanente é o de uma potência que não se desenvolve nunca em ato, e, ao contrário, sobrevive a ele e nele. Creio que seria extremamente importante chegar a pensar de um modo novo a relação entre a potência e o ato, o possível e o real. Não é o possível que exige ser realizado, mas é a realidade que exige tornar-se possível. Pensamento, práxis e imaginação (três coisas que jamais deveriam ser separadas) convergem nesse desafio comum: tornar possível a vida.

F. C.: No primeiro capítulo - de O Estado de exceção - você assinala que, em que pese a crescente conversão das democracias parlamentares em governamentais, e o aumento do "decisionismo" do poder executivo, os cidadãos ocidentais não registram essas mudanças e crêem seguir vivendo em democracias. Você tem uma hipótese sobre por que isso acontece? Caberia enfocar esse tema com base em uma teoria sobre a sujeição voluntária ao poder disciplinar (aquilo que Legendre chama "o modo em que o poder se faz amar")?

G. A.: O problema da sujeição voluntária coincide com aqueles processos de subjetivação sobre os quais trabalhava Foucault. Foucault mostrou, parece-me, que cada subjetivação implica a inserção em uma rede de relações de poder, nesse sentido uma microfísica do poder. Eu penso que tão interessantes como os processos de subjetivação são os processos de dessubjetivação. Se nós aplicamos também aqui a transformação das dicotomias em bipolaridades, poderemos dizer que o sujeito apresenta-se como um campo de forças percorrido por duas tensões que se opõem: uma que vai até a subjetivação e outra que procede em direção oposta. O sujeito não é outra coisa que o resto, a não-consciência desses dois processos. Está claro que serão as considerações estratégicas aquelas que decidirão, a cada momento, sobre qual pólo fazer a alavanca para desativar as relações de poder, de que modo fazer jogar a dessubjetivação contra a subjetivação e vice-versa. Letal é, por outro lado, toda política das identidades, ainda que se trate da identidade do contestatário e a do dissidente.

F. C.: Você afirma que "vida nua" e "norma" não são coisas preexistentes à máquina biopolítica, são um produto de sua articulação. Você poderia explicar isto? Porque é mais simples compreender que o direito foi "inventado", mas custa mais se desembaraçar da idéia de que os seres humanos somos, em algum sentido, "existências nuas", que pouco a pouco vamos aprovisionando-nos de nossas roupagens: língua, normas, hábitos...

G. A.: Aquilo que chamo vida nua é uma produção específica do poder e não um dado natural. Enquanto nos movimentarmos no espaço e retrocedermos no tempo, jamais encontraremos - nem sequer as condições mais primitivas - um homem sem linguagem e sem cultura. Nem sequer a criança é vida nua: ao contrário, vive em uma espécie de corte bizantina na qual cada ato está sempre já revestido de suas formas cerimoniais. Podemos, por outro lado, produzir artificialmente condições nas quais algo assim como uma vida nua se separa de seu contexto: o muçulmano em Auschwitz, a pessoa em estado de coma etc. É no sentido que eu dizia antes que é mais interessante indagar como se produz a desarticulação real do humano do que especular sobre como foi produzida uma articulação que, pelo o que sabemos, é um mitologema. O humano e o inumano são somente dois vetores no campo de força do vivente. E esse campo é integralmente histórico, se é verdade que se dá história de tudo aquilo de que se dá vida. Porém, nesse continuum vivente se podem produzir interrupções e cesuras: o "muçulmano" em Auschwitz e o testemunho que responde por ele são duas singularidades desse gênero.

Para ler toda a entrevista:
http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0104-80232006000100011&script=sci_arttext

Mais uma porrada!

Essa veio da Gabriela Schuler. Transcrevo a prova de Realidade Brasileira que ela inventou. Eu adorei....

O adulto do futuro

A mulher acordou. O dia estava lindo, o céu azul, a paisagem exuberante era o que ela via da janela do hotel. Estava viajando a negócios, no Japão, há duas semanas. Não tinha que trabalhar neste dia então ela resolveu ir às compras. Na verdade, ela não estava necessitando de nada em específico, mas, sentia um chamado interior que dizia “vamos dar uma olhadinha nas vitrines e passar o tempo”. Doce ilusão...
O shopping era uma coisa de louco, oito andares de pura magia. Um mundo criado para despertar desejos nas pessoas. Os andares eram divididos em departamentos especializados conforme o tipo de produto que comercializavam. Produtos para turistas, crianças, idosos, gestantes, mulheres, homens, negros, brancos, amarelos, intelectuais, malucos, magros, gordos, etc. Uma infinidade de opções. Ela nunca tinha visto nada parecido, ficou por algum tempo meio perdida naquela “torre de babel”.
“E agora José”... pra que lado eu vou? Para qualquer lado que se olhasse, havia pessoas circulando com suas sacolas, bolsas, caixas, carrinhos. O quê e por que elas estavam comprando tanta coisa?
Havia uma senhora, visivelmente de origem indiana, comprando compulsivamente, camisetas da marca Coca-Cola. Ela já havia escolhido umas vinte, quando descobriu que, o último lançamento eram as camisetas “Guaraná da Amazônia”. Resolveu pegar umas cinco, afinal de contas, ela também se preocupava com o meio ambiente. Sentia que desta forma estava, indiretamente, resolvendo um pouco os problemas da água no seu país de origem. Incrível como ainda tem gente que acredita que o consumo é coisa de gente alienada.
Após algum tempo perambulando pelo shopping, a mulher resolveu sentar um pouco na praça de alimentação. Um menino japonês, de mais ou menos uns 15 anos, apareceu na sua frente oferecendo os principais jornais brasileiros daquele dia. Como ele havia a encontrado naquele mar de gente, ela não fazia a menor idéia... coisas da tecnologia japonesa. Ela comprou dois.
O Brasil estava bem. A economia andava “de vento em popa”. O país se desenvolvia economicamente como nunca antes na história. O povo tinha uma vida digna e confortável. A saúde e a educação eram as principais metas do governo depois da nova fonte de energia lisarb plus (lisarb é brasil ao contrário), descoberta por estudantes de engenharia ambiental da Faesa, há três décadas.
No Brasil, o Caderno de Empregos, não existia mais. Também não existiam mais os ambientalistas. Não precisava. Assim como desapareceram os abolicionistas com o fim da escravidão, não havia mais ambientalistas sem problemas desta natureza para combater.
Terminada sua leitura, a mulher pensou: “mas o que eu vim fazer aqui afinal?”, “Pra qual destes departamento eu vou?”, “Já sei! Vou para o andar de estética. Dizem que os japoneses tem umas técnicas incríveis nessa área”.
E assim ela fez. Foi para lá, fez clareamento nos dentes e na pele. Alisou os cabelos com laser. Fez uma tatuagem atrás da orelha. Tomou uma pílulas rejuvenecedoras, e por último, fez uma pequena intervenção cirúrgica de mudança de sexo.
Agora sim, podia voltar ao Brasil. Apesar da situação econômica, educacional, ambiental e de saúde estarem resolvidas, ainda era mais fácil ser feliz como homem, jovem, branco, de cabelo liso e com belos dentes. Agora só precisava encontrar aquele rapaz japonês que havia lhe vendido o jornal. Ele tinha o sistema para fazer a mudança de nome e sexo no seu passaporte. Era só uma questão de corrigir o que está escrito no papel. Mesmo ela estando visivelmente “transformada”, a força da palavra escrita ainda é maior do que as aparências.
Comentário
É mais fácil mudar as aparências através de tratamentos estéticos ou na forma de consumir produtos carregados de simbologia, do que mudar mentalidades. A forma de consumo das pessoas demonstra isso. Ao consumirmos, estamos procurando formas de nos reinventar, de nos adaptar ao que está sendo valorizado pela mídia naquela época.
A mídia e a ciência fortalecem crenças em realidades inventadas por eles mesmos. Um exemplo disso, é o recorte de uma notícia veiculada pelo jornal A Tribuna sobre o corpo perfeito. Perfeito pra quem?

Vamos desligar o foda-se?

Amigos, quero compartilhar com vocês um trecho da prova da minha aluna Jussara Martins. Um texto do tipo "supapo no cognitivo", como gosta o Tom Zé.

Sabe quando mastiga e não percebe? Quando você está olhando para o nada? Quando as pessoas passam e você não vê? É a vida ligada no piloto automático. A mil por hora, correndo o risco de bater no primeiro poste ou no primeiro, não sei, pode ser qualquer lugar que cause um “belo” estrago. Nossa vida é assim, às vezes ligada no “piloto automático”, mastigamos tudo sem perceber e colocamos para fora toda “merda” que algum dia engolimos, ou nos foi enfiada goela abaixo.
É assim que a mídia faz conosco. É assim que fazemos com a mídia. Ela não funciona sozinha, portanto é um reflexo de nossas atitudes, reproduz nossas ações e no final estamos fazendo com que muitos passem a frente e esfreguem na cara de todos a tal da “merda” midiática. Produzida por nós, “humanos” éticos e pensadores.


É isso aí!

domingo, 30 de setembro de 2007

BANCO DE TESES

Achei este link para um banco de teses disponívei para download da USP. Algumas aboradam o tema do cotidiano escolar.
http://www.teses.usp.br/areas.php?cod=H

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Tropa de elite: segurança e terror

Em seu artigo Sobre a segurança e o terror, Giorgio Agamben nos adverte sobre o perigo que se constitui quando a segurança torna-se o princípio básico da atividade do Estado, único critério de legitimação política.

Segundo ele, um Estado que tem a segurança como sua única tarefa e origem de legitimidade é um organismo frágil, sempre pode ser provocado pelo terrorismo e se tornar ele próprio terrorista. Essa possibilidade talvez possa explicar o impacto que o filme Tropa de Elite está causando na maioria das pessoas, desencadeando reações e sentimentos múltiplos como admiração, medo, idolatria, revolta e indignação, entre outros.

Quando a política se reduz a polícia, a diferença entre Estado e terrorismo corre o risco de desaparecer. No fim, a segurança e o terrorismo podem formar um sistema fatalmente único, no qual justificam e legitimam todas as ações uns dos outros.

O risco é que a procura por segurança conduza a uma guerra civil mundial que torne todas as coexistências civis impossíveis.

Há ainda um outro perigo. Uma vez que exigem constante referência a um estado de exceção, as medidas de segurança funcionam no sentido de uma crescente despolitização da sociedade. A longo prazo, elas são irreconciliáveis com a democracia.

Para Agambem, os governos deveriam trabalhar no sentido da prevenção da desordem e da catástrofe, não no sentido do seu controle, mas sim no sentido da produção de emergências.

A tarefa da política democrática é impedir o desenvolvimento das condições que conduzem ao ódio, ao terror, à destruição.

AGAMBEN, Giorgio. Sobre a segurança e o terror. In. COCCO, Giuseppe & HOPSTEIN, Graciela (orgs.). As multidões e o Império: entre globalização da guerra e univesalização dos direitos. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.

Boa pedida!


terça-feira, 25 de setembro de 2007

Historicidades, subjetividades, corpo, governo de si, Foucault, Nietszche entre outras coisas mais

Gente aproveito este espetáculo de blog para postar trecho da aula da filósofa Maria Cristina Franco Ferraz, que foi minha professora de filosofia e comunicação da Uff. Espero que gostem. Ela tem uma leitura bem legal das técnicas, do cuidado de si, de Nietszche, Foucaut e Deleuze. Alem do mais, ela é linda e bailarina. beijos Vanessa Maia



Sobre historicidades e subjetividades
"(...) os sentidos são históricos e fluidos e eles sendo históricos são incorporados em cada cultura historicamente e portanto são variáveis e são modificáveis também. Entretanto quando a gente habita uma cultura a gente habita essa cultura como se ela fosse uma natureza, uma segunda natureza, ou seja, a gente tem uma tendência humana a acolher os sentidos e valores de nossa época histórica a incorporá-los no sentido bem literal. Ela se torna o nosso corpo, e de certa forma a gente forma a gente perde essa visada historicizante e de certa maneira essa visada historicizante ela eh interessante porque permite um recuo crítico permite que vc avalie os valores dos sentidos que vc vai incorporando. sentidos e valores. e a gente incorpora muito rapidamente e sempre de um modo automatizado e ai esses sentidos que são pura produção histórico cultural se tornam como uma natureza pra nos. e isso eh uma tendência muito geral das sociedades humanas em geral. O Bérgson vai dizer que os homens tem, sobretudo, o hábito de ter hábitos o grande habito e como se fosse um recuo para um habito de ter hábitos. E nesse sentido nós vamos a partir de agora tentar configurar, tentar diagnosticar esse complexo cenário em que vivemos agora sempre lembramos que a complexidade do real e da historia não se deixa aprender nunca em sua totalidade o que a gente vai fazer aqui eh tentar traçar linhas de tendências que se tornam cada vez mais dominantes e que vão sendo introjetadas por nos, incorporadas por nos, como natureza e como novas verdades. Sobretudo porque eu jah tinha dito a vocês porque restou a nós ocidentais um único lugar privilegiado de produção de verdades que eh a ciência então esses parâmetros cientificizantes que vão se disseminando pelos mídias e ai entra plenamente o campo da comunicação, vão se disseminando, e vão se tornando novas verdades que nos vamos incorporando como se fossem não uma interpretação possível mas a única eficaz ou a única que possa ser acreditada. Isso que se torna interessante nessa visão historicizante que ai abala essa coincidência com os valores do nosso tempo com os valores e sentidos que porque são compartilhados a gente também cauciona (?) O Oswald de Andrade no manifesto antropofágico vai citar o Visconde de Cairu que diz o seguinte: a verdade eh a mentira muitas vezes repetida. Então também tem essa repetição midiática essa introdução nos mídia de várias novas configurações da subjetividade que vão se espraiando pela sociedade e que nos vamos incorporando de modo inadvertido. Então essa é nossa premissa. Na verdade como eu disse pra vocês nos não vamos achar que o Bérgson e Nietsche disseram a verdade sobre a memória, mas eles fizeram considerações importantíssimas mas a gente vai ver como essas considerações tendem a se esvaziar no paradigma contemporâneo. Se vocês pensarem na vida de vocês nos últimos dez anos a gente pode avaliar uma mudança muito grande. O modo como a gente trata do bem estar e do mal estar vai paulatinamente se transformando não é verdade? Isso historicamente a gente pode circunscrever da seguinte maneira: O século XX é um século por excelência de uma subjetividade que se configura como um homem psicológico. O homem do século XIX é esse homem dotado de uma interioridade e de uma interioridade marcada pelo desejo. Na verdade esse indivíduo dotado de interioridade é uma produção histórica. Mas os campos dos saberes modernos por excelência, as novas ciências empíricas da virada do séc XIX pro XX, psiquiatria criminalística, psicologia, psicanálise, vão produzindo, vão consolidando essa figura. Mas veja bem, não os saberes que criam esse homem interiorizado psicologicamente constituído. É a historicidade que vai configurando esse indivíduo burguês autônomo, dotado de livre arbítrio, e na verdade os campos das ciências também estão no bojo da história então ao mesmo tempo são efeitos de transformações históricas, mas também instrumentos dessas mesmas transformações. Eu gosto muito de trabalhar com esse nexo que é o nexo mais complexo. Se a gente costuma trabalhar simplificando geralmente como causa e efeito. Uma coisa é causa mas eu prefiro trabalhar com uma lógica mais complexa que é a da lógica de efeito que é instrumento.Então é como o campo psíquico que surge, que emerge do século XIX que se consolida ao longo do século XX é um campo que é, ao mesmo tempo, produção de uma historicidade e, ao mesmo tempo, é instrumento de configuração, de consolidação desse homem que a história está forjando. Eu to falando da hist. Ocidental. Nesse sentido a emergência dos campo psi, essa tematização insistente na psicologia no psiquismo humano vai marcar essa configuração subjetiva que é aquela dotada de interioridade. A gente fica assim: Ué, mas os homens não eram assim antes? Não. Não eram. Essa visão de interioridade que a gente jah naturalizou e que nos constitui nos é constitutiva, também é produção histórica. Isso é muito difícil de a gente entender realmente por isso que a gente naturaliza a história. Claro porque ah pensou vc ter noção de que a sua vida é de certa maneira circunscrita historicamente. Isso é desconcertante. Que a gente quer ter uma identidade, quer ter um Eu, que seria próprio e natural. Mas esse eu é produzido historicamente porque ele se configura de um certo modo que é o modo de se subjetivar. O grande historiador dessa perspectiva é o Michel Foucault que vai trabalhar muito a partir do Nietszche, que vai trabalhar a partir dessa idéia que as práticas podem ser as mesmas mas o sentido é histórico e muda porque a gente tem tendência a encontrar uma prática e projetar sobre ela o sentido que é próprio da nossa historicidade e que muitas vezes não tem nada a ver com o sentido daquela prática em outra cultura ou em outro tempo. Eu vou dar um exemplo que eu vou extrair da História da Sexualidade do Foucault é uma obra interessante em três volumes. O Foucault, por exemplo, vai dizer que a homossexualidade como sentido e a gente vai falar um pouco disso emerge no final do século XIX na verdade 1870 em artigo de um cientista que configura essa figura do homossexual. Aí vocês vão dizer: - Mas como? Eu não estou falando da prática, estou falando do sentido. Porque no segundo volume da História da Sexualidade quando o Foucault trabalha Eros na Grécia antiga, ele vai mostrar por exemplo que a relação entre dois homens era uma relação importantíssima na formação da virilidade. Vocês entendem? Então não tem nada a ver com homossexualidade. E a própria contenção dos desejos, das paixões, não era moral. A contenção das paixões, dos desejos, pra gente usar um termo anacrônico (porque é anacrônico, a gente está falando de uma cultura que não se pensava assim, mas a gente é obrigado a falar dela com um vocabulário que não lhe era aceito) mas que por interpretar essa noção que você encontra na Grécia antiga da moderação, não é em nome da moral é em nome de um valor político. A idéia grega é a seguinte. A Grécia é uma civilização muito política então na verdade, governar as próprias paixões...se você consegue governar, moderar as próprias paixões isso te habilita a governar a polis, a cidade. Você só pode governar a polis dos outros se souber se governar. Então é um exemplo de a idéia de limitação da sexualidade, de moderação de uma certa paixão, mas não em favor de uma ascese cristã, de uma virtude, de uma castidade, mas em favor da idéia de que o controle e de um governo de si é um pré-requisito do governo dos outros. Então vocês estão vendo que a prática é a mesma e que o sentido muda? Então voltando ao Eros Grego, o Foucault vai mostrar que as relações entre homens se dava em um certo regime de educação: era o mestre – discípulo muito jovem, a primeira barba indicava que aquele rapaz passava pro lado do homem adulto, então não poderia ser objeto de relação erótica mas era sobretudo uma formação do homem, do cidadão viril, porque na Grécia antiga o que era desvalorizado era a mulher. Então a figura do efeminado esse sim, o Aristóteles nas comédias sempre ridiculariza. E aparece também no Banquete de Platão. Isso (o homem efeminado) era risível. Mas a relação entre homens nesse regime de educação, da Paidéia, não. Era extremamente valorizado, mas tinha um certo limite a primeira barba, e era jovem, muito jovem. Vocês vejam que hoje pensariam em pedofilia. Mas vocês vejam que a infância também é uma produção histórica a noção de infância como momento frágil, vulnerável, carecendo de cuidados especiais, ainda não autônoma, ainda não responsável, também é uma produção histórica. Tem um livro importante: História Social da Família e da Criança, Phillipe Aries, então também é bom vocês lerem esse tipo de texto pra vocês perceberem a historicidade. Porque é muito difícil a gente se descolar dos sentidos que a gente naturaliza. Então eu dei esse exemplo (homossexualidade). Se nos gregos fazia parte da formação da virilidade, anteriormente a 1870, anteriormente desse homem que é uma interioridade, desse homem como uma inclinação feminina como uma inversão de Gênero, havia na visão daquela prática, uma outra interpretação. Que era jurídica, jurídica e econômica, que era a prática da sodomia. Então reparem que o nome muda. Entre a prática da sodomia e a homossexualidade. Mas não é só o nome que muda. Muda também o regime que aquela prática funciona. A prática da sodomia, uma relação entre dois homens, a própria palavra já alude a que? Sodomia? Sodoma e Gomorra, uma circunscrição Bíblica, do que seria um desvio do desejável, sendo prática ela incorria em certas penalidades. Ela era passível de ser perseguida judicialmente e canonicamente. Mas nem era muito. Mas uma coisa é existir uma prática. Outra coisa é existir um modo de ser. A homossexualidade nem é mais configurada uma prática é configurada como um modo de ser interior porque inclusive isso ateh explica a visão ateh vulgar o homossexual inrustido. Mesmo que não haja a prática, é como se aquela inclinação, aquele modo de ser interior, aparecesse naquele corpo de algum modo. Então é muito interiorizado. Pra vocês verem como é importante descolar a prática de sentido. A prática pode parecer a mesma, mas os sentidos variam infinitamente porque são históricos e culturais e tem implicações diferentes. Porque esse indivíduo do homossexualismo é muito mais um ser voltado pra dentro do que aquele homem grego que só conhece a virtude quando política se um feito heróico não for cantado pelos poetas na polis grega, ele nem existe. Existe a idéia de uma virtude interior. Então isso pra vocês terem uma idéias desses deslocamentos históricos. Alguns autores apontam para uma tendência a uma mutação recente. Muito recente. Então eu estava perguntando a vocês se vocês não percebem na própria vida uma mudança de auto-tematização no sentido de mal-estar . Ao longo do séc XX prevalece o campo da (psi) canalise e cologia na compreensão do homem e do mal estar como um conflito por exemplo entre o desejo e a coerção social, por exemplo. O homem foi pensado, em termos gerais, como um ser em conflito interno e ai a psicanálise dava conta disso. Então você tinha mal estar, se sentia meio infeliz, tinha problema nas relações, com os outros e com o mundo, você buscava uma compreensão da sua interioridade. O que eu sinto? Qual a minha história? A minha narrativa? De onde veio esse sentimento? Você buscava essas matrizes da compreensão do mal-estar muito no âmbito do mergulho na interioridade. Uma interioridade marcada por um conflito. Um conflito marcado, sobretudo, entre uma exuberância da sexualidade e as coerções e as limitações próprias ao campo do social. Então se entendia muito assim. Hoje cada vez mais há uma tendência em esvaziar essa interioridade em favor de uma compreensão do mal estar em termos de desajuste e disfunção cerebral. Desajuste bioquímico de um corpo. Ou seja, Os homens cada vez mais remetidos à materialidade bioquímica molecular de seus corpos e nos corpos, o privilégio do cérebro.Isso é muito marcante. Eu vou dar uns exemplos pra vocês eu acho que vcs podem estar cada um de vocês se perguntando em suas próprias vidas como é que os conflitos são resolvidos tendencialmente em favor de uma medicina que oferece respostas, que oferece conforto, que oferece soluções medicamentosas. Muito mais do que há dez anos. Eu gosto de assinalar no cinema, o Bergmam, grande cineasta sueco que acaba de falecer os filmes do Bergman dos anos 60 e ate 70 quando você os vê hoje você observa como aquele contexto histórico vai ficando longe é um contexto histórico de muito investigação da esterelidade muitas vezes dolorosa, muitas vezes a contexto de gritos e sussuros (pra aproveitar o título) persona, o problema da máscara do eu, de quem eu sou, do espírito. Nunca passa pela cabeça dos personagens verificar se seu cérebro está funcionando bem, não passa são questões existenciais. Eu não estou dizendo que isso é certo ou é errado. Eu estou dizendo que há um deslocamento de uma dominação do campo psicológico para o campo biológico.Há um deslocamento no sentido de uma biologização da vida. Quer no campo da genética, quer no campo das neurociências que vão se disseminando pelos mcm e vão se introduzindo na nossa vida. Então hj fica muito difícil inclusive de você ter a paciência que o campo psíquico pedia – porque os processos terapêuticos sempre eram muito longos – em favor hoje de uma demanda por eficácia e por rapidez nos resultados. Visando um desempenho bem azeitado pra vocês. Eu queria lembrar a vocês que a palavra fitnes , esse verbo, esse substantivo, tão conhecido por nós há dez anos talvez não fosse é um substantivo que vem d expressão to fit is que quer dizer exatamente se ajustar, se encaixar, (comentário de um aluno sobre o filme fany & alexander). Claro...é exatamente essa história, desse indivíduo que tem uma história, que essa história ela é uma chave explicativa de seus sofrimentos psíquicos mais tarde, que tem todo um mergulho no EU. Isso não é uma história recente não. Isso já vem gestado pelo menos no séc XVI com Montaigne que fez o primeiro mergulho no EU. Mas já nas confissões de Agostinho. Mas, sobretudo na modernidade, com Montaigne, com Rousseau, a idéia do eu confessional, do eu que se confessa no seu quarto privado. Tem a ver com a distinção entre público e privado e tem a ver com a matriz da literatura moderna que tem muito a desenvolver nesse campo do eu e que por sua vez diz respeito a configuração do indivíduo burguês. Hoje esse indivíduo cada vez menos sistematiza como indivíduo interiorizado conflitado e interiorizante e muito mais como um corpo como uma base material que deve ser prescrutada. A gente deve interferir nessa esfera culturalmente. Isso eh muito curioso. Os filmes do Bergman – é um exemplo muito bom e muito contemporâneo à morte do Bergman - quando a gente assiste hj a gente sente que aquele mundo, aquele modo de se auto-tematizar, aqueles roteiros de subjetivação que são culturalmente produzidos estão em pleno declínio, perdendo a sua vigência. Gosto também de usar outro exemplo cinematográfico. Woody Allen, os filmes dele eram filmes de alguém que se penalizava ao longo de mais de 30 anos. Eles lidavam muito com esse eu conflitivo, esse eu psicanalítico e psicanalisado. Esse eu psi era quase que um tema do Allen. O Woody Allen muito perspiscazmente ele percebe essa tendência a uma mutação histórica. Um exemplo muito interessante é aquele filme onde o personagem perde o foco. Essa perda do foco é uma perda do próprio Woody Allen. Ele mudou de tipo de filme. Ele agora varia outro tipo de filme, e agora ele vai ensaiando vários tipos.Isso é emblemático da alteração de foco do próprio Allen. Ele vivia uma historicidade a fundo e expressava essa historicidade em sua própria cinematografia. Quando essa configuração começa a se alterar é como se o próprio Woody Allen saísse de foco. Não se sustenta mais. E muitas vezes ele vira a mesa ai. Tem um filme que ele dá umas dicas pro rapaz e nessas dicas ta um pouco ironiado o próprio ponto psi. ele mesmo toma esse recuo em relação às suas práticas históricas. Hoje, quando você configura o mal-estar, a tendência é buscar os medicamentos. O que que isso implica? Implica que o mal estar deixa de estar vinculado a um modo de viver, ou seja, em como se efetua aquela existência e passa a ser atrelado a um corpo que funciona bem ou mal que deve buscar se adequar aos processos históricos sociais vigentes. De preferência com uma ótima performance. O que está implicado aí, em uma forma de saída, é uma desmobilização de uma ação política. Transformadora. Que na verdade, existe uma privatização do problema, como se fosse apenas uma responsabilidade daquele indivíduo de alterar o seu sistema corporal para poder se adequar. Quando talvez o mal-estar possa ser também sintomático de uma vida que não está satisfeita, nem feliz, que poderia então ser levado isso adiante, essa insatisfação a levar uma mudança de sua própria vida, como da relação com o mundo, como do próprio mundo. Então há essa tendência crescente hoje, uma medicalização da vida, uma biologização de todos os elementos da personalidade, dos afetos, as faculdades cognitivas e a memória. Então como a gente vai tratar da memória, nesse paradigma contemporâneo, vai ser todo um trabalho nessa direção. O que alguns autores vão chamando de sujeito cerebral. Porque o que acontece também é o seguinte. Essa importância atribuída ao cérebro não é de hoje. O cérebro de Lênin vai ser preservado, existe em Moscou um museu de cérebros de gênios. Como se dentro dessa caixa preta (o cérebro) estivesse contido o segredo da genialidade. Só que hj o que a gente vai chamar de (um galicismo francês) de imageria cerebral, imageria no sentido de produção de imagens no interior do cérebro vivo. Vai finalmente abrir esse cérebro pra pesquisa e pro estudo. Então há por conta da biologia molecular, e das técnicas de ressonância magnética, positrons, todas essas técnicas de captação da imagem no interior do corpo vão fazendo com que se incremente o campo das pesquisas neurocientíficas que, por sua vez, vão se vulgarizando nos mcm e vão se tornando nossas verdades contemporâneas incorporadas de uma maneira irrefletida e o mais importante de a gente refletir sobre essa historicidade é perceber essas implicações. No sentido de desmobilização da ação política. Eu estou chamando de ação política a própria ação de mudar sua própria vida. Não to falando de política partidária. To falando de política vital. É claro porque a psicanálise ela considerava que era um problema daquela vida e não um problema de disfunção cerebral. A psicanálise ela nasce rompendo com essa visão materialista e fisicalista do homem. Ela nasce rompendo. Freud, a grande ruptura de Freud é essa. Não é uma questão de lesão cerebral nem de função. É uma questão de psiquismo. Então eu não estou dizendo que isso foi melhor do que a gente vive hoje mas eu estou dizendo que a gente tende a se reconfigurar como subjetividade e é importante a entender como é que isso funciona e quais são as suas conseqüências. Eu ia dizer um outro exemplo pra trazer um tema pra vcs. Tentem cada um de vcs nas próprias vidas. Hj vc tem muitos termos médicos pra tudo. O próprio vocabulário se contamina. Todo o vocabulário da tristeza passa a ser vertido para a depressão. Hoje é difícil você perceber que está triste, já interpreta, incorpora uma interpretação “deprimido” que já aponta para alguma coisa que não está funcionando bem bioquimicamente. Por um lado é curioso porque tira a responsabilidade do sujeito. Isso de certa maneira alivia de certo modo o sofrimento. Entretanto como desmobiliza esse sujeito, vc fica na mão dos especialistas (...)".

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

FINALMENTE...

Amigos cotidianos...
Finalmente consegui entrar...
O Blog está um espetáculo. Viva nós!
Em breve teremos a biografia do Certeau feita por Luce Giard. A tradução já está concluída.
Por enquanto, beijos para todos...
FERRAÇO.

Agenda do Grupo de Estudos

UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO – UFES
Centro de Educação – CE
Programa de Pós-Graduação em Educação – PPGE
Cursos de Mestrado e Doutorado em Educação – Semestre 2007/2
Disciplina: Estágio em pesquisa I – Código: PGE 5010 Carga horária: 90 horas Número de créditos: 02
Disciplina: Estágio em pesquisa II – Código: PGE 51005 Carga horária: 90 horas Número de créditos: 02
Professor: Carlos Eduardo Ferraço

Programação:

1º - 10/08 - 14:00
Apresentação e discussão da proposta da disciplina e definição das atividades e leituras a serem realizadas e dos responsáveis.
2º - 17/08 - 14:00
CAMARGO, Ana Maria Faccioli de. e MARIGUELA, Márcio (Org.). Cotidiano escolar: emergência e invenção. Piracicaba: Jacintha Editores, 2007.
Responsável: Vanessa
3º - 24/08 - 14:00
CAMARGO, Ana Maria Faccioli de. e MARIGUElA, Márcio (Org.). Cotidiano escolar: emergência e invenção. Piracicaba: Jacintha Editores, 2007.
Responsável: Alex
4º - 31/08 - 14:00
RANCIÈRE, Jacques. O mestre ignorante: cinco lições sobre a emancipação social. Rio de Janeiro: Autêntica, 2004.
Responsável: Tânia
5º - 14/09 - 14:00
RANCIÈRE, Jacques. O mestre ignorante: cinco lições sobre a emancipação social. Rio de Janeiro: Autêntica, 2004.
Responsável: Dani
7º - 28/09 - 14:00
SOUZA DIAS. Lógica do acontecimento - Deleuze e a filosofia. Porto: Afrontamento, 1995.
Responsáveis: Claudio e Jackie
9º - 19/10 - 14:00
HARDT, Michael e NEGRI, Antonio. Império. Rio de Janeiro: Record, 2005.
Responsáveis: Regina e Marisa – p. 21 a 109 / p. 101 a 224
10º - 26/10 - 14:00
HARDT, Michael e NEGRI, Antonio. Império. Rio de Janeiro: Record, 2005.
Responsáveis: Kiki e Lessany – p. 225 a 324 / p. 325 a 437
12º - 23/11 - 14:00
NEGRI, Antonio. Multidão: guerra e democracia na era do Império. Rio de Janeiro: Record, 2005.
Responsáveis: Kellen e Nicea – p. 09 a 135 / p. 139 a 245
14º - 07/12 - 14:00
NEGRI, Antonio. Multidão: guerra e democracia na era do Império. Rio de Janeiro: Record, 2005.
Responsáveis: Ceiça e Fátima – p. 247 a 338 / p. 339 a 447

REFERÊNCIAS

CAMARGO, Ana Maria Faccioli de; MARIGUELA, Márcio (Org.). Cotidiano escolar: emergência e invenção. Piracicaba: Jacintha Editores, 2007.

HARDT, Michael e NEGRI, Antonio. Império. Rio de Janeiro: Record, 2005.

NEGRI, Antonio. Multidão: guerra e democracia na era do Império. Rio de Janeiro: Record, 2005.

RANCIÈRE, Jacques. O mestre ignorante: cinco lições sobre a emancipação social. Rio de Janeiro: Autêntica, 2004.

SOUZA DIAS. Lógica do acontecimento - Deleuze e a filosofia. Porto: Afrontamento, 1995.