quinta-feira, 25 de outubro de 2007

A arte da amizade: alguns instantâneos na UERJ

Após nossas "trocas de figurinhs e abobrinhas" na cantina da UERJ em que ouvimos, falamos, sentimos, rimos, contamos causos e histórias desordenadas, caóticas, engraçadas, tenebrosas, enfim, onde tecemos experiências e acontecimentos nos interstícios de nossas vidas enredadas e emboladas com tantas outras, comecei a pensar na "arte da amizade".

Segundo Ortega (1999), "nos últimos anos, apareceram várias tentativas de pensar a amizade, por parte de Foucault, Deleuze, Guattari e Derrida, constituindo-se hoje em dia, em uma das principais tarefas filosóficas".

Falar de amizade, diz Ortega, refraseando Foucault na terminologia de Deleuze, "é falar de multiplicidade, intensidade, experimentação, desterritorialização. Relação, portanto, provisória e aberta a novos posicionamentos do sujeito. Ser amigo significa não ter lugar social marcado nem objetivos fixos, quando se trata de buscar satisfação pessoal ou perseguir ideais coletivos".

Em seu livro "Amizade e estética da existência em Foucault", Ortega desenvolve uma ontologia da amizade, "[...] ao lado da tentativa de realçar a dimensão agonística e inter-subjetiva do cuidado de si relacionando-a com a análise da amizade. A amizade é um conceito-chave na obra foucaultiana , sendo também um elemento de ligação entre a elaboração individual e a subjetivação coletiva. Ela é, para o pensador francês, um convite, um apelo à experimentação de novos estilos de vida e comunidade".

Que possamos, então , nessa "forma de subjetivação coletiva", nessa "forma de vida" metamorfosearmos em um infinito e intenso devir que nos faça deslizar entre as margens, dobras, interstícios... Parafraseando Derrida, transbordar do que menos nos falta e carecer do que nos sobra...

ORTEGA, F. Amizade e existência em Foucault. Rio de Janeiro: Edições Graal Ltda., 1999.

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