segunda-feira, 15 de outubro de 2007

O biscoito fino e a massa

Para os que acompanham o pensamento italiano contemporâno, cabem duas observações sobre Agamben:
1. Ele tem pouquíssima – se é que tem – relação com o chamado pensiero debole, o “pensamento frágil” associado a Gianni Vatimo, que celebra, de alguma forma, a queda dos universais como “pátria” e “Deus” e tenta armar, a partir daí, uma ética da precariedade. Não é essa a turma de Agamben.
2. Tem ele também pouquíssimo que ver com o marxismo obreirista italiano de figuras como Toni Negri que, a partir de uma leitura eufórica da globalização, enxergam o novo comunismo nos lugares mais insólitos, até no Bolsa Família de Lula.
Agamben é um pensador que propõe menos saídas, celebra menos, indica menos caminhos. Arrasta-se no pensar com um pouco menos de pressa. Meu livro favorito de Agamben é O que resta de Auschwitz: A Testemunha e o Arquivo (ainda inédito em português, acho), onde encontramos frases como :

A notícia atroz que os sobreviventes carregam dos campos para a terra dos seres humanos é precisamente a de que é possível perder a dignidade e a decência para além da imaginação, de que ainda há vida na degradação mais extrema. E que esse saber agora se torna a pedra de toque pela qual se medirá e se julgará toda moral e toda dignidade.

Para ler mais:
http://www.idelberavelar.com/archives/2007/05/giorgio_agamben.php

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