domingo, 11 de novembro de 2007


Quem foi que disse que rosa é apara as meninas!

Numa lógica do biopoder, ainda são os menisnos maiores que carregam as bandeiras das instituições, do estado e etc.
A amizade enquanto política da existência, enquanto ética e estética se abre a caminhos não pensados e os menisnos e meninas da escola destroem as evidências de seus limites.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Adoro um amor inventado





A amizade hoje (e sempre) seria assim, antes de mais nada, a possibilidade de recuperar os espaços públicos com a invenção de novas formas de sociabilidade. Ela seria então o estabelecimento agora, mas sempre raramente, de um campo aberto à experimentação entre as pessoas, que ocorre cada vez em que é possível ser-se livre.

João Camillo Penna
Professor da Faculdade de Letras da UFRJ

http://p.php.uol.com.br/tropico/html/textos/1410,1.shl

Amizade: espaço de liberdade e de risco

Nas sociedades contemporâneas ocidentais, a prática da parrhêsia “se transformou na prática da confissão, a relação institucionalizada com o confessor ou com o psicanalista substituiu a relação de amizade” (Ortega 1999, p. 162), contribuindo para o esvaziamento da vida pública e para a privatização dos afetos, assim como para o revigoramento de uma visão familialista das relações dos homens entre si. Foucault se posiciona decididamente contra esta linha de força que influi no esvaziamento da micropolítica, fornecendo pistas para se pensar e viver novas formas relacionais e de comunidade, e por que não dizer, de praticar a psicanálise, pois que seu pensamento evolui com base numa perspectiva da intersubjetividade comprometida com a produção de bens comuns, mas não universalizáveis. Uma das formas relacionais para as quais Foucault (1994) chama atenção é a amizade. Esta, à medida que relacionada à incitação para uma luta que compreende questões que afetam a existência de todo indivíduo, é compreendida como voltada para impulsionar uma autotransformação considerada indispensável. Expressão do laço social tanto quanto do afetivo, a amizade é também relacionada por Foucault a um processo de natureza agonística, sempre passível de gerar dor e até chegar a um limite, posto que necessariamente norteado pela verdade, concebida também como sempre passível de ser retificada.

Conhecer a verdade, antes de qualquer coisa, dizer a verdade e praticar a verdade, se norteando sempre por afetos experimentados de forma livre, sem que se prescinda da escuta e da consideração dirigidas ao outro, se constitui na arte da existência que o pensamento de Foucault (1994) sugere ser importante no contexto da contemporaneidade, situando-a como uma sublimação necessária – ao mesmo tempo em que uma “prática de liberdade” – ao risco de perda envolvido em relações de amizade de natureza agonística. Por isso, em consonância com seu pensamento, Ortega argumenta, com muita propriedade, que “o espaço da amizade é o espaço entre os indivíduos, do mundo compartilhado – espaço de liberdade e de risco –, das ruas, das praças, dos passeios, dos teatros, dos cafés, e não o espaço de nossos condomínios fechados e nossos shopping centers” (Ortega, 2002, p. 161-162). O espaço da amizade não comporta, portanto, a dominação exercida pelo valor – muitas vezes preconizado – da lealdade compulsória ao outro. Cabe aqui acrescentar que o espaço da amizade, assim concebido, também não comporta uma perspectiva ancorada na suspeita e na desconfiança de que nem tudo é sabido ou dito, ou numa suspeita para com o desconhecido considerado como fonte de artimanhas, por se acreditar que a verdade fundamental só possa advir de um inconsciente que surpreende no mais das vezes de modo perigoso.

Luiz Ricardo Prado de Oliveira
http://spcrj.org.br/artigos/artigos_outubro_setting.htm

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Para ajudar a pensar a multidão II

Bombeiros fazem manifestação por melhores condições de trabalho na Espanha. Vocês não acham que a multidão tem uma certa potência? É como cantavam Erasmo Carlos e Marina Lima

Sei que você fez os seus castelos
E sonhou ser salva do dragão
Desilusão meu bem
Quando acordou estava sem ninguém
Sozinha no silêncio do seu quarto
Procura a espada do seu salvador
Que no sonho se desespera
Jamais vai poder livrar você da fera
Da solidão
Com a força do meu canto
Esquento o seu quarto prá secar seu pranto
Aumenta o rádio me dê a mão
Filosofia é poesia que dizia a minha vó
Antes mal acompanhada do que só
Você precisa de um homem pra chamar de seu
Mesmo que esse homem seja eu

Escolas públicas

PARA AJUDAR NA DISCUSSÃO DO NEGRI


"Todas essas multidões não impedem o deserto..."

Clara Luiza Miranda

domingo, 4 de novembro de 2007

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Contra a violência o biopoder

CABRAL APÓIA ABORTO E DIZ QUE FAVELA É FÁBRICA DE MARGINAL
Folha de S. Paulo
25/10/2007

Para o governador do Rio, interrupção da gravidez está relacionada à redução da violência Para ele, rede pública teria de oferecer condições, já que mulheres de melhor poder aquisitivo acabam pagando por procedimento
O governador do Rio, Sérgio Cabral, afirmou que as taxas de fertilidade de mães faveladas são uma "fábrica de produzir marginal". Segundo ele, parte dessas mulheres produz crianças "sem estrutura, sem conforto familiar e material". Cabral disse lamentar o fato de essas mães não receberem orientação dos órgãos oficiais "em questões de planejamento familiar".
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho (PMDB), pai de cinco filhos, defendeu ontem a legalização do aborto como forma de conter a violência no Estado e afirmou que as taxas de fertilidade de mães faveladas são uma "fábrica de produzir marginal".Segundo o governador, 44, existem "dois brasis", um de padrão de países nórdicos, como a Suécia, e outro com nível de pobreza comparável a países miseráveis africanos."Não tenho a menor dúvida de que o aborto [como política pública] pode conter a violência. Eu particularmente não sou a favor do aborto", declarou ontem em encontro de agentes de viagem na Barra da Tijuca.De acordo com Cabral, parte das mães moradoras de áreas carentes "estão produzindo crianças, sem estrutura, sem conforto familiar e material". Ele disse lamentar o fato de essas mulheres não receberem "orientação do governo em questões de planejamento familiar" dos órgãos de saúde.


Comentário:

Ou seja, em nome da segurança se justifica e se legitima a tentativa de controlar a vida das pessoas, operando por meio de classificações, hierarquizações e prescrições. Dessa forma, o governador se sente no direito e no dever de regular a fecundidade das mulheres pobres, controlar as taxas de crescimento das populações das favelas e, ao mesmo tempo, estabelecer as possibilidades futuras das crianças faveladas. Pior do que o preconceito e o equivoco em relação a taxa de fecundicade nas favelas cariocas, é fazer da segurança "o princípio básico da atividade do Estado" (Agamben).

Como afirmam Negri e Hardt em Multidão, "se a guerra já não é uma situação excepcional, mas o estado normal das coisas, vale dizer, se entramos agora num estado perpétuo de guerra, torna-se necessário que a guerra não seja uma ameaça a atual estrutura de poder, nem uma força desestabilizadora, e sim, pelo contrário, um mecanismo ativo que esteja constantemente criando e reforçando a atual ordem global. (...) Em outras palvras, a aplicação coordenada e constante da violência torna-se condição necessária para a disciplina e o controle. Para que possa desempenhar este papel social e político fundamental, a guerra deve ser capaz de desempenhar uma função constituinte ou reguladora: terá de tornar-se ao mesmo tempo um atividade processual e uma atividade reguladora, de ordenação, criando e mantendo hierarquias sociais, uma forma de biopoder voltada para a promoção e a regulação da vida social" (2005: 43-44).