Em seu artigo Sobre a segurança e o terror, Giorgio Agamben nos adverte sobre o perigo que se constitui quando a segurança torna-se o princípio básico da atividade do Estado, único critério de legitimação política.
Segundo ele, um Estado que tem a segurança como sua única tarefa e origem de legitimidade é um organismo frágil, sempre pode ser provocado pelo terrorismo e se tornar ele próprio terrorista. Essa possibilidade talvez possa explicar o impacto que o filme Tropa de Elite está causando na maioria das pessoas, desencadeando reações e sentimentos múltiplos como admiração, medo, idolatria, revolta e indignação, entre outros.
Quando a política se reduz a polícia, a diferença entre Estado e terrorismo corre o risco de desaparecer. No fim, a segurança e o terrorismo podem formar um sistema fatalmente único, no qual justificam e legitimam todas as ações uns dos outros.
O risco é que a procura por segurança conduza a uma guerra civil mundial que torne todas as coexistências civis impossíveis.
Há ainda um outro perigo. Uma vez que exigem constante referência a um estado de exceção, as medidas de segurança funcionam no sentido de uma crescente despolitização da sociedade. A longo prazo, elas são irreconciliáveis com a democracia.
Para Agambem, os governos deveriam trabalhar no sentido da prevenção da desordem e da catástrofe, não no sentido do seu controle, mas sim no sentido da produção de emergências.
A tarefa da política democrática é impedir o desenvolvimento das condições que conduzem ao ódio, ao terror, à destruição.
AGAMBEN, Giorgio. Sobre a segurança e o terror. In. COCCO, Giuseppe & HOPSTEIN, Graciela (orgs.). As multidões e o Império: entre globalização da guerra e univesalização dos direitos. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.
quarta-feira, 26 de setembro de 2007
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Um comentário:
Ceiça, querida!!!
Finalmente consegui entrar no "nosso BLOG" e está D+!!!!! Parabéns pela dedicação e tbém aos amigos que estão contribuindo com os textos!!! Ficou muito legal... Valeu mesmo!!!
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