terça-feira, 18 de setembro de 2007

Ceiça

Amigos, esse é o nosso Phármakon, ou como queria Derrida, o que nos propõe a "farmácia de Platão".

Desejo que Phármacon se torne um dos espaçostempos da tecitura de nosso Grupo de Estudos do Cotidiano, mas um espaçotempo que opere no jogo da escritura e com a potência que sugere o termo de acordo com Derrida: droga, remédio e/ou veneno que leve à morte qualquer pureza virginal e qualquer íntimo impenetrado.

"Esse phármakon, essa 'medicina', esse filtro, ao mesmo tempo remédio e veneno, já se introduz no corpo do discurso com toda sua ambivalência. Esse encanto, essa virtude de fascinação, essa potência de feitiço podem ser - alternada ou simultaneamente - benéficas e maléficas. O phármakon seria uma substância, com tudo o que esta palavra possa conotar, no que diz respeito a sua matéria, de virtudes ocultas, de profundidade crítica recusando sua ambivalência à análise, preparando, desde então, o espaço da alquimia, caso não devamos seguir mais longe reconhecendo-a como a própria anti-substância: o que resite a todo filosofema, excedendo-o indefinidamente como não-identidade, não-essência, não-substância, e fornecendo-lhe, por isso mesmo, a inesgotável adversidade de seu fundo e de sua ausência de fundo." (Derrida)

Pois bem, que a escritura seja menos um limite, como estamos acostumados a pensar, e mais o que nos excede. Que possamos constituir e ampliar experiências neste excesso.

"Operando por sedução, o phármakon faz sair dos rumos e das leis gerais, naturais ou habituais" (Derrida), nos mantendo, ao mesmo tempo, no limite desse tecido, ainda que infinitamente refeito.

"Escrevendo o que não diz, não diria e, sem dúvida, na verdade jamais pensaria, o autor do discurso escrito já está instalado na posição do sofista: o homem da não-presença e da não-verdade"(Derrida).

A escritura nos arranca de nós mesmos, das nossas verdades e das nossas certezas.Vamos então embarcar nessa aventura coletiva, sem pensar aonde esse veneno/potência irá nos levar.

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